Sobreviventes descrevem brutalidade em El-Fasher
Abalado e ferido, Ezzeldin Hassan Musa conta a violência que testemunhou quando forças paramilitares tomaram o controle da cidade de El-Fasher na região de Darfur, no Sudão.
Ele diz que lutadores torturaram e mataram homens tentando escapar, deixando sobreviventes aterrorizados e lutando para fugir.
Agora em Tawila, uma cidade a cerca de 80 quilômetros de El-Fasher, Ezzeldin está entre milhares que alcançaram relativa segurança depois de escapar do que as Nações Unidas chamam de violência "horrível".

A Viagem à Segurança
Ezzeldin descreve a perigosa viagem a Tawila:
"Deixamos El-Fasher há quatro dias. O sofrimento que encontramos no caminho era inimaginável. Fomos divididos em grupos e espancados. Vimos pessoas assassinadas à nossa frente. Fui atingido na cabeça, costas e pernas. Bateram-me com paus. Corremos quando pudemos, enquanto outros estavam detidos."
Muitos fugitivos tiveram de se mover à noite, rastejando pelo chão para evitar serem detectados. Seus pertences, incluindo telefones, roupas e sapatos, muitas vezes eram roubados. Alguns ficaram sem comida por vários dias.
Alvos Homens e Soldados
Os homens que fugiam da cidade eram particularmente vulneráveis. Ahmed Ismail Ibrahim, enfaixado de vários ferimentos, disse que os lutadores da RSF mataram quatro dos seis homens com ele. Ele sobreviveu após ser baleado três vezes e ter seu telefone inspecionado.
"Eles finalmente nos disseram para levantar e ir. Meus irmãos não me deixaram para trás. Caminhamos até encontrarmos paz."
Famílias fogem no meio do caos
Yusra Ibrahim Mohamed, cujo marido era um soldado morto durante ataques, fugiu com seus filhos após testemunhar violência mortal.
"As pessoas podem até ser executadas. Vi cadáveres nas ruas."
Equipes de caridade médica relatam que a maioria dos recém-chegados são mulheres, crianças e idosos. Centenas necessitam de cuidados médicos urgentes, incluindo amputações e tratamento para lesões graves.

Deslocamento em larga escala
A apreensão de El-Fasher marca a última onda de violência em uma cidade que estava sob cerco há 18 meses. Os moradores sofreram bombardeios de artilharia, ataques aéreos e bloqueios de suprimentos e ajuda. Dezenas de milhares foram deslocadas no início deste ano, quando forças paramilitares apreenderam campos próximos.
Ajuda e preocupações humanitárias
As organizações de ajuda estão preocupadas que os cerca de 5.000 que chegaram a Tawila representem apenas uma fração dos que ainda estão presos em El-Fasher ou ao longo das rotas de fuga. Muitos são desnutridos, desidratados, feridos ou incapazes de se mover devido à insegurança contínua.

"As estradas públicas devem ser seguras para os cidadãos, e a ajuda humanitária deve chegar aos necessitados", disse Ezzeldin.
Grupos humanitários alertam que muitos permanecem encalhados e em estado crítico, enfrentando traumas e riscos de vida.


